Dra. Viviane Felici – Neurologista em Presidente Prudente / SP

Você já sentiu as mãos tremerem do nada? Ou conhece alguém que treme o tempo todo? 

É comum que, ao notar esse tipo de sintoma, as pessoas logo pensem em Doença de Parkinson. Mas será que toda tremedeira é sinal de Parkinson? 

A resposta é: não. Nem todo tremor é motivo de preocupação, e nem todo tremor é Parkinson. Neste artigo, quero te explicar — de forma clara e simples — quais são os tipos de tremor, quando eles são normais, quando é hora de investigar, e qual a relação com a Doença de Parkinson. 

Vamos entender melhor? 

Quem é o médico que cuida de tremor?

Foto da Dra Viviane, neurologista, de jaleco, segurando um martelo neurológico em seu consultorio

A Dra. Viviane M. Felici, é médica neurologista, especialista em tremores, tremedeira e Doença de Parkinson, com atendimento particular em seu consultório em Presidente Prudente.

Seu trabalho é oferecer um cuidado atento, humano e personalizado. Cada sintoma conta uma história — e escutar com calma e atenção faz toda a diferença no diagnóstico e no tratamento.

Formou-se em Medicina pela UNOESTE, como segunda melhor aluna da turma, e realizou sua especialização em Neurologia no Hospital do Servidor Público Estadual de São Paulo (HSPE-SP), referência na formação de neurologistas no país.

Além disso, possui subespecialização em Distúrbios do Movimento, área que abrange condições como tremores, tremedeira, Doença de Parkinson e outros distúrbios neurológicos que afetam o movimento.

Se você ou alguém da sua família tem percebido tremores nas mãos, lentidão para se movimentar, rigidez muscular ou outros sinais que possam indicar alterações neurológicas, saiba que não precisa conviver com a dúvida ou com o medo


Agendar uma consulta com a Dra. Viviane, neurologista especialista em tremores e Parkinson, pode fazer toda a diferença para um diagnóstico preciso, tratamento adequado e melhora na qualidade de vida.

Veja as avaliações dos pacientes sobre o atendimento da Dra Viviane M. Felici:

Avaliação de paciente sobre o atendimento da Dra Viviane
Avaliação de paciente sobre o atendimento da Dra Viviane
Avaliação de paciente sobre o atendimento da Dra Viviane
Avaliação de paciente sobre o atendimento da Dra Viviane
Avaliação de paciente sobre o atendimento da Dra Viviane

O que é tremor? 

Tremor é um movimento involuntário e repetitivo. É quando alguma parte do seu corpo começa a se mexer sozinha, sem que você queira e sem que consiga controlar. Esses movimentos acontecem de forma repetida, como se a parte do corpo estivesse balançando no mesmo ritmo, várias vezes seguidas. 

Pode atingir: 

  • As mãos (mais comum) 
  • Os braços 
  • A cabeça 
  • As pernas 
  • Até mesmo a voz 

Algumas pessoas notam o tremor quando estão em repouso. Outras, quando estão tentando fazer algo com as mãos, como segurar um copo ou escrever. 

Em casos mais leves, o tremor pode nem ser percebido. Mas quando fica mais intenso, pode atrapalhar tarefas simples do dia a dia, como se vestir, comer ou escrever. 

Imagem de um homem com sua mão tremendo e ele tentando segurar

Tremor e tremedeira são a mesma coisa? 

Sim. A palavra “tremedeira” é o jeito mais popular de se referir ao tremor. 

Mas nem toda tremedeira significa uma doença. Existem muitas causas simples e passageiras, como: 

  • Estresse ou ansiedade 
  • Cansaço físico ou mental 
  • Falta de sono 
  • Consumir muito café ou bebidas energéticas 
  • Queda do açúcar no sangue (hipoglicemia) 
  • Uso de medicamentos com esse efeito colateral 

Nesses casos, a tremedeira não costuma durar muito e desaparece com o descanso, boa alimentação ou ajustes na rotina. O mais importante é observar se o sintoma persiste ou se aparece em momentos inesperados. 

Quando o tremor merece atenção? 

Alguns tremores são passageiros. Mas outros podem ser sinais de alerta para doenças neurológicas, como a Doença de Parkinson ou outros distúrbios do movimento. 

Fique atento se o tremor: 

  • Está ficando mais frequente ou mais forte com o tempo 
  • Aparece mesmo quando você está descansado e calmo 
  • Afeta apenas um lado do corpo 
  • Vem junto com outros sintomas, como rigidez, lentidão ou dificuldade para andar 
  • Está atrapalhando sua rotina e tarefas simples 

Nessas situações, o ideal é procurar um neurologista o quanto antes. Quanto mais cedo for feita a investigação, melhor será o tratamento. 

Mulher com tremor nas mãos, segurando um copo de vidro com água que está balançando

O que é a Doença de Parkinson? 

A Doença de Parkinson é uma condição neurológica crônica e progressiva. Isso significa que ela vai evoluindo aos poucos com o tempo, mas que pode ser controlada com tratamento adequado

Ela ocorre quando o cérebro começa a produzir menos dopamina, uma substância essencial para o controle dos movimentos. 

A falta de dopamina leva a sintomas como tremores, rigidez muscular, lentidão nos movimentos e desequilíbrio

Embora seja mais comum em pessoas com mais de 60 anos, o Parkinson também pode surgir em pessoas mais jovens, inclusive antes dos 50. 

Quais são os sintomas do Parkinson? 

O tremor é o sintoma mais conhecido, mas não é o único. Muitas pessoas com Parkinson nem apresentam tremor no início. 

Outros sinais importantes incluem: 

  • Lentidão para iniciar ou completar movimentos 
  • Sensação de corpo travado (rigidez muscular) 
  • Passos curtos e arrastados ao andar 
  • Dificuldade de equilíbrio e quedas frequentes 
  • Alterações na fala (voz mais baixa ou arrastada) 
  • Escrita pequena e apertada 
  • Rosto com pouca expressão facial 
Homem com tremor nas mãos

Além desses sintomas motores, o Parkinson também pode causar: 

  • Ansiedade e depressão 
  • Alterações do sono 
  • Intestino preso ou preguiçoso 
  • Alterações de memória 

Cada paciente apresenta uma combinação diferente de sintomas. Por isso, é tão importante uma avaliação cuidadosa e individualizada. 

Parkinson sempre começa com tremor? 

Não. O tremor é um sintoma frequente, mas o Parkinson pode começar de outras formas, como: 

  • Lentidão nos movimentos 
  • Perda de equilíbrio 
  • Rigidez em um dos lados do corpo 

Ou seja: não é preciso ter tremedeira para ter Parkinson. E o contrário também é verdade — nem toda tremedeira é Parkinson. 

Somente um neurologista pode fazer esse diagnóstico com segurança, avaliando todos os sinais e sintomas. 

Como é feito o diagnóstico de Parkinson? 

O diagnóstico do Parkinson é clínico, ou seja, é feito através da conversa e do exame neurológico realizado no consultório. Não existe um exame de sangue ou de imagem que sozinho confirme o diagnóstico.

O neurologista vai observar: 

  • Quanto tempo faz que o tremor começou? 
  • Quando o tremor aparece (em repouso ou em movimento?) 
  • Se afeta um ou os dois lados do corpo 
  • Se apareceu de repente ou foi piorando aos poucos 
  • Se além do tremor, você percebe outros sinais no corpo 

Porém, alguns exames podem ser usados para descartar outras doenças que causam tremor, lentidão ou rigidez. Os mais comuns são:

  • Ressonância magnética do cérebro, que ajuda a excluir outras causas.
  • SPECT cerebral com TRODAT, um exame específico que pode auxiliar em casos de dúvida, mostrando como está o funcionamento dos neurônios que produzem dopamina.

Mas é importante saber que, na maioria das vezes, o diagnóstico é feito pelo neurologista, através da análise dos sintomas e do exame físico.

Imagem de SPECT com TRODAT de paciente com parkinson

Sintomas não motores do Parkinson

O Parkinson não afeta apenas os movimentos. Existem muitos sintomas não motores, que às vezes aparecem antes dos tremores e da lentidão, e que também precisam ser tratados.

Alguns exemplos de sintomas não motores são:

  • Alterações no sono, como insônia ou sono agitado
  • Ansiedade, depressão e apatia
  • Constipação intestinal (intestino preso)
  • Perda do olfato (não sentir cheiro)
  • Fadiga, cansaço excessivo
  • Dor muscular sem causa aparente
  • Queda de pressão ao levantar (hipotensão postural)
  • Alterações de memória e raciocínio, especialmente nas fases mais avançadas

Esses sintomas fazem parte da doença e devem ser acompanhados e tratados junto com os sintomas motores.

O que é discinesia?

Imagem de senhor com Parkinson e discinesia

Discinesia é um movimento involuntário, como se fossem balanços, torções ou movimentos desajeitados, que aparecem como efeito colateral de alguns medicamentos usados no tratamento do Parkinson.

Geralmente, esses movimentos acontecem quando o remédio está no auge do efeito. Apesar de serem desconfortáveis, a discinesia não é um sinal de piora da doença, mas sim um efeito do tratamento.

O neurologista pode fazer ajustes na medicação para tentar reduzir esses movimentos, mantendo o melhor controle possível dos sintomas.

Existe cura para a Doença de Parkinson? 

Ainda não existe cura para a Doença de Parkinson!

Mas existe tratamento, e ele pode fazer toda a diferença na qualidade de vida da pessoa com Parkinson. 

Como é feito o tratamento da Doença de Parkinson?

Tratamento de Parkinson com medicações em horários certos

O tratamento pode incluir: 

  • Medicamentos: que ajudam a repor ou estimular a dopamina no cérebro, melhorando os sintomas motores e até parte dos não motores. 
  • Estimulação Cerebral Profunda (DBS): Cirurgia indicada em casos selecionados, que melhora tremores, rigidez e movimentos involuntários (discinesias).
  • Fisioterapia: para manter a força, o equilíbrio e a mobilidade 
  • Fonoaudiologia: para melhorar a fala e a ajudar a engolir com mais facilidade 
  • Terapia ocupacional: que ajuda a adaptar tarefas do dia a dia 
  • Atividade física: Evidências mostram que exercícios regulares (caminadas, alongamento, pilates, hidroginástica, dança) ajudam a manter a função motora, o equilíbrio e até o humor.
  • Acompanhamento psicológico: para lidar com as emoções e os sentimentos que a doença pode trazer 

Cada caso é único. O mais importante é iniciar o tratamento cedo e ter um acompanhamento contínuo com um especialista. Se quiser saber mais, leia meu artigo sobre tratamento de Parkinson no link:

Tratamento da Doença de Parkinson e Parkinsonismos Atípicos: o que realmente funciona para melhorar os sintomas

Como é a cirurgia para Parkinson?

Imagem mostrando um DBS no cérebro do paciente

Sim. Existe uma cirurgia chamada Estimulação Cerebral Profunda, conhecida como DBS (do inglês, Deep Brain Stimulation).

Essa cirurgia não cura o Parkinson, mas ajuda muito a controlar os sintomas motores, como tremores, rigidez e lentidão, principalmente quando os remédios não estão mais funcionando tão bem.

Ela funciona como um “marca-passo” no cérebro. Pequenos eletrodos são implantados em regiões específicas, enviando estímulos elétricos que ajudam a regular os movimentos.

Nem todo paciente é candidato para a cirurgia. É necessário passar por uma avaliação criteriosa com o neurologista especialista em distúrbios do movimento.

Quem tem Parkinson pode dirigir?

Idoso com Parkinson dirigindo

Na maioria dos casos, sim, especialmente nos estágios iniciais da doença, quando os sintomas estão bem controlados.

Mas é fundamental ter cuidado e passar por avaliação médica. O Parkinson pode, com o tempo, causar:

  • Lentidão de reação
  • Dificuldade de movimentos
  • Alterações cognitivas ou de atenção

Por isso, é importante que o neurologista avalie se ainda há segurança para dirigir. Em alguns casos, pode ser necessário fazer testes específicos ou até comunicar ao DETRAN, de acordo com a legislação vigente.

O mais importante é garantir que o paciente e as outras pessoas estejam seguras no trânsito.

Qual a diferença entre Parkinson e Alzheimer?

O Parkinson é uma doença que começa afetando o corpo e os movimentos, causando tremores, lentidão, rigidez e desequilíbrio. Com o tempo, alguns pacientes também podem apresentar problemas de memória, confusão e esquecimentos, mas isso geralmente aparece nas fases mais avançadas.

O Alzheimer é diferente. Ele começa afetando principalmente a memória, os esquecimentos e o raciocínio. Só nas fases mais tardias é que podem surgir dificuldades físicas, como problemas para andar.

São doenças diferentes, mas quando estão bem avançadas, podem ter alguns sintomas parecidos, como a dificuldade para se locomover e alterações na memória.

O que são os Parkinsonismos Atípicos?

Parkinsonismo é o nome que damos ao conjunto de sintomas como tremor, rigidez, lentidão e desequilíbrio.

A Doença de Parkinson é a causa mais comum de parkinsonismo. Mas existem outras doenças que também causam esses sintomas e que são chamadas de parkinsonismos atípicos.

Eles são diferentes do Parkinson clássico porque costumam ter uma evolução mais rápida, responder pouco aos remédios e trazer outros sinais que não costumam estar presentes no Parkinson comum.

Principais tipos de parkinsonismos atípicos:

1. Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS)

Imagem que mostra evolução da Atrofia de Múltiplos Sistemas
  • Além dos sintomas motores, pode causar alterações no equilíbrio, pressão baixa, dificuldade urinária e problemas na fala.
  • Evolui mais rapidamente e tem menos resposta aos remédios do Parkinson.

2. Paralisia Supranuclear Progressiva (PSP)

Imagem que mostra alterações da Paralisia Supranuclear Progressiva
  • Causa queda frequente, rigidez principalmente no pescoço, alterações nos movimentos dos olhos (dificuldade de olhar para cima ou para baixo) e dificuldade na fala e deglutição.

3. Degeneração Corticobasal (DCB)

Sintomas do paciente com Degeneração  corticobasal
  • Começa frequentemente com um lado do corpo mais afetado.
  • Além dos sintomas motores, pode haver dificuldades cognitivas, movimentos involuntários, sensação de que um braço não obedece e parece “estranho”.

4. Demência com Corpos de Lewy

Imagem dos sintomas de Lewy
  • Tem sintomas motores parecidos com o Parkinson, mas os problemas de memória, confusão, alucinações e variações da atenção aparecem muito cedo, junto com os sintomas motores.

Esses parkinsonismos são mais desafiadores e o diagnóstico correto faz toda a diferença no acompanhamento e no planejamento do tratamento.

E se não for Parkinson? Outras causas de tremores 

Existem outros tipos de tremor que não estão ligados à Doença de Parkinson. Veja alguns exemplos: 

1. Tremor essencial: o tipo mais comum de tremor

Homem com tremor nas mãos segurando uma colher cheia de arroz, ele apoia uma mão com a outra para diminuir o tremor

O tremor essencial é o tipo mais comum de tremor que existe. Ele costuma afetar as mãos, mas também pode atingir a cabeça, a voz ou outras partes do corpo.

Diferente do tremor do Parkinson, que aparece quando a pessoa está parada, o tremor essencial surge quando você está fazendo algum movimento, como:

  • Beber água
  • Escrever
  • Comer com talheres
  • Passar maquiagem ou fazer a barba

Geralmente, ele começa de forma leve e vai piorando aos poucos com o tempo. Em muitos casos, a pessoa convive bem com ele, mas quando começa a atrapalhar tarefas do dia a dia, é importante procurar um neurologista.

Pode ser de família?

Sim! Em vários casos, o tremor essencial é hereditário, ou seja, passa de pais para filhos. É comum encontrarmos mais de uma pessoa da mesma família com tremor — por isso, ele também é chamado de tremor familiar.

É perigoso?

Não. O tremor essencial não é uma doença grave e não afeta a memória, o raciocínio ou outras partes do cérebro. Mesmo assim, pode causar bastante incômodo, principalmente se estiver atrapalhando suas atividades diárias, como comer, escrever ou segurar objetos.

Tem tratamento?

Sim! Quando o tremor começa a incomodar, existem várias formas de tratar. O neurologista pode indicar:

  • Remédios para controlar o tremor
  • Aplicação de Toxina, em alguns casos, como quando o tremor está só na cabeça ou na voz
  • Cirurgia com estimulação cerebral, em casos mais difíceis de controlar

O tratamento é sempre individualizado e depende da intensidade do tremor e da rotina de cada pessoa. 

Tremor essencial pode virar Parkinson?

Teste de Espiral de Arquimedes no paciente com tremor essencial

Essa é uma dúvida muito comum — e a resposta é: na maioria das vezes, não.

O tremor essencial é diferente da Doença de Parkinson e não se transforma nela. Mas alguns estudos mostram que pessoas com tremor essencial podem ter um risco um pouco maior de desenvolver Parkinson no futuro, comparado com quem nunca teve tremor.

Mesmo assim, a grande maioria nunca vai desenvolver Parkinson.

Por isso, é importante fazer acompanhamento regular com um neurologista, para controlar o tremor e também ficar de olho em outros sinais que não fazem parte do tremor essencial, como:

  • Rigidez no corpo
  • Lentidão nos movimentos
  • Perda de equilíbrio

Esses sintomas podem indicar outro tipo de problema e merecem atenção.

2. Tremores causados por substâncias ou medicamentos 

Alguns medicamentos, como remédios para depressão (antidepressivos), para ansiedade (ansiolíticos), broncodilatadores ou corticoides, podem causar tremores como reação do remédio, o que chamamos de efeito colateral. 

O mesmo pode acontecer quando tomamos muito café ou outras bebidas com cafeína e na abstinência de álcool (quando a pessoa para de beber bebida alcoólica de repente). 

Homem com tremor nas mãos, segurando um copo de vidro com água que está balançando e derrubando água

3. Tremor psicogênico 

Esse tipo de tremor está ligado a fatores emocionais, como ansiedade intensa, estresse ou traumas

Ele costuma surgir de repente e variar bastante, sem seguir um padrão, diferente dos outros tipos de tremores. 

É preciso cuidado e experiência para identificar corretamente a origem do tremor e indicar o tratamento adequado. 

4. Tremor fisiológico aumentado: o tremor “normal” que pode assustar

Tremor fisiológico aumentado

Todos nós temos um leve tremor nas mãos, que normalmente nem percebemos. Esse é o chamado tremor fisiológico, presente em pessoas saudáveis. No entanto, em algumas situações, esse tremor pode ficar mais visível — e aí chamamos de tremor fisiológico aumentado.

Ele costuma ser leve, rápido e transitório, mas pode gerar bastante preocupação, especialmente em momentos de estresse.

As causas mais comuns incluem:

  • Ansiedade e nervosismo
  • Estresse emocional
  • Fadiga ou privação de sono
  • Hipoglicemia (queda do açúcar no sangue)
  • Excesso de cafeína ou nicotina
  • Uso de alguns medicamentos, como broncodilatadores, antidepressivos ou corticosteroides
  • Abstinência de álcool

Esse tipo de tremor desaparece quando a causa é controlada, e não costuma indicar nenhuma doença neurológica grave.
Por exemplo, é comum perceber esse tremor ao segurar uma xícara de café após uma noite mal dormida ou durante uma apresentação em público.

Quando procurar um neurologista?

Se o tremor for frequente, interferir nas atividades do dia a dia ou estiver aumentando com o tempo, vale a pena investigar. Em alguns casos, o tremor fisiológico aumentado pode se confundir com tremores de outras causas, como o tremor essencial.

5. Tremor cerebelar: tremor associado à falta de coordenação

Tremor de intenção é típico de tremor cerebelar

O tremor cerebelar acontece por alterações no cerebelo, a parte do cérebro responsável pela coordenação motora, equilíbrio e precisão dos movimentos.

Esse tipo de tremor é bem diferente dos demais: ele não aparece quando a pessoa está em repouso, mas sim durante o movimento — especialmente no final de um gesto, como quando tentamos encostar o dedo no nariz ou levar um copo à boca. Por isso, é chamado de tremor de intenção.

As principais características são:

  • Tremor de grande amplitude, mais lento e irregular
  • Movimentos desequilibrados, com aparência de “errar o alvo”
  • Muitas vezes, acompanhado por dificuldade de coordenação, fala pastosa ou instabilidade ao andar

Principais causas:

  • Lesões no cerebelo, como tumores ou AVCs
  • Esclerose múltipla
  • Doenças genéticas que afetam a coordenação (como ataxias hereditárias)
  • Alcoolismo crônico, que pode causar degeneração cerebelar

O diagnóstico é feito com exame neurológico e exames de imagem, como ressonância magnética.

O tratamento depende da causa. Em alguns casos, pode haver melhora com fisioterapia motora e medicamentos para controle dos sintomas, embora esse tipo de tremor muitas vezes seja mais difícil de tratar do que os outros.

6. Tremor ortostático

Homem em pé com tremor ortostático

É um tipo de tremor pouco conhecido, mas que pode causar grande desconforto.

O tremor ortostático aparece somente quando a pessoa está em pé, parado. Ele provoca uma sensação de instabilidade, como se as pernas não sustentassem o corpo. Algumas pessoas descrevem como se estivessem “flutuando”, “vibrando por dentro” ou “balançando”.

Esse tremor some ao sentar ou ao começar a andar, o que o diferencia de outros tipos.

Existem dois tipos principais:

  • Tremor ortostático primário: raro, de causa neurológica ainda não totalmente esclarecida. Os tremores são rápidos, de alta frequência, muitas vezes visíveis apenas com exames como eletromiografia.
  • Tremor ortostático secundário: pode surgir em doenças neurológicas como Doença de Parkinson, Atrofia de Múltiplos Sistemas (AMS) ou esclerose múltipla.

Esse tipo de tremor pode atrapalhar a qualidade de vida, porque a pessoa evita ficar em pé ou em filas, por medo de cair. O diagnóstico exige atenção e experiência do neurologista, e o tratamento pode incluir medicações específicas, fisioterapia e acompanhamento neurológico regular.

7. Tremor distônico

Senhor com distonia cervical

Esse tipo de tremor aparece em pessoas com distonia, que é uma condição caracterizada por contrações musculares involuntárias, causando posturas anormais ou movimentos repetitivos.

O tremor distônico costuma ser:

  • Irregular (não tem ritmo constante, como o tremor essencial)
  • Pode variar de intensidade ao longo do dia
  • Muitas vezes, aparece apenas quando a parte do corpo afetada está sendo usada
  • Pode melhorar com o toque leve na região afetada — o que chamamos de truque sensitivo

Por exemplo: uma pessoa com distonia cervical (no pescoço) pode apresentar tremores na cabeça que melhoram ao apoiar a mão no queixo ou na bochecha.

Esse tipo de tremor pode ser confundido com outros, como o tremor essencial ou até com o Parkinson. Por isso, o diagnóstico diferencial é fundamental.

O tratamento pode incluir:

  • Aplicação de Toxina, para reduzir a contração muscular
  • Medicamentos específicos para distonia
  • Em alguns casos, a estimulação cerebral profunda (DBS)

8. Tremor no queixo: o que pode ser?

Tremor no queixo ao beber água

O tremor no queixo (ou tremor mentoniano) é um tipo menos comum de tremor, mas que pode causar bastante preocupação, especialmente por ser mais visível.

As principais causas incluem:

  • Doença de Parkinson: o tremor no queixo pode aparecer, especialmente nos casos mais avançados. Costuma ser rítmico, semelhante ao tremor das mãos.
  • Tremor essencial: em algumas pessoas, o tremor essencial também pode afetar o queixo ou a cabeça.
  • Efeito colateral de medicamentos: certos remédios psiquiátricos ou neurológicos podem causar tremores faciais.
  • Tremor fisiológico aumentado: em situações de estresse, ansiedade, cansaço ou frio, é possível notar um tremor leve no queixo, que costuma ser passageiro.
  • Distonia facial: em casos mais raros, distúrbios do movimento como a distonia podem afetar a região do queixo, causando contrações ou tremores involuntários.

O tremor no queixo merece avaliação quando é frequente, não desaparece com o repouso ou está associado a outros sintomas, como rigidez ou lentidão.

Por que é importante procurar ajuda? 

Muita gente convive com tremores por anos, achando que é “normal da idade” ou só nervosismo. 

Mas nem sempre é. E quanto mais cedo for feita a avaliação, mais chances temos de controlar os sintomas e melhorar a qualidade de vida

Não é normal ter tremores frequentes ou intensos. Seu corpo está dando um sinal. 

Seja tremor, tremedeira ou suspeita de Parkinson, você não está sozinho. E o tratamento pode melhorar muito o que você está sentindo. 

Quando procurar um neurologista?

Procure um neurologista se: 

  • Os tremores são constantes ou estão piorando 
  • Você sente rigidez, lentidão ou desequilíbrio 
  • Está com medo de ser Parkinson 
  • O sintoma está afetando sua rotina 

O neurologista é o médico especializado no funcionamento do cérebro e do sistema nervoso. Ele vai te ouvir com atenção, te examinar e investigar com cuidado e te orientar sobre o melhor caminho. 

Agende sua consulta

Se você ou alguém próximo está lidando com tremores ou com o diagnóstico de Parkinson, não espere mais

Com acompanhamento especializado e um plano de cuidado personalizado, é possível viver bem, com mais segurança e autonomia

Estou aqui para te acolher e cuidar da sua saúde neurológica com responsabilidade, escuta e carinho. 

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Dra. Viviane M. Felici 

Neurologista – Especialista em Distúrbios do Movimento 

CRM 152.173 – RQE 72.154

Presidente Prudente/SP

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