
Desmaiar costuma assustar bastante. Afinal, perder a consciência de repente é uma situação que gera medo e muitas dúvidas.
O desmaio é sempre grave? O que pode ter causado isso? Será que pode ser um problema no cérebro? Quando devo procurar um médico?
Na maioria das vezes, o desmaio, não está relacionado a uma doença neurológica grave. Ele pode acontecer por motivos como queda da pressão arterial, calor intenso, desidratação, ficar muito tempo em pé ou até uma emoção muito forte.
Por outro lado, alguns episódios podem ser o primeiro sinal de um problema de saúde que precisa de investigação. Entre as possíveis causas estão doenças do coração e, mais raramente, algumas doenças neurológicas. Por isso, saber reconhecer os sinais de alerta é fundamental para procurar atendimento no momento certo.
Neste artigo, você vai entender:
- O que é um desmaio
- Quais são as causas mais comuns
- Quando ele pode indicar um problema mais sério
- O que fazer quando alguém desmaia
- Como é feito o diagnóstico e o tratamento
Se você ou alguém da sua família teve um episódio de desmaio, principalmente sem um motivo aparente ou com episódios repetidos, uma avaliação médica pode ajudar a identificar a causa e indicar o tratamento mais adequado.
Qual médico cuida de desmaios?

Sou a Dra. Viviane Felici, médica neurologista, com experiência na investigação de desmaios e perda de consciência. Atendo em Presidente Prudente, em consultas particulares, com o tempo necessário para uma avaliação cuidadosa e individualizada.
A investigação começa com uma conversa detalhada, exame neurológico e análise dos exames já realizados. Nem sempre é necessário fazer muitos exames. O mais importante é entender como aconteceu o episódio e identificar sua possível causa.
Cada caso é único. Meu objetivo é esclarecer suas dúvidas, chegar ao diagnóstico correto e orientar os próximos passos, para que você possa retomar suas atividades com mais segurança.
Se você teve um desmaio ou episódio de perda de consciência, procure uma avaliação especializada.
Agende sua consulta com uma neurologista e investigue seu desmaio com segurança e tranquilidade.
O que é um desmaio?

O desmaio, chamado pelos médicos de síncope, é uma perda temporária da consciência. Ele acontece quando o cérebro recebe menos sangue e oxigênio por alguns instantes.
Na maior parte dos casos, essa redução do fluxo de sangue dura apenas alguns segundos. Assim que a circulação volta ao normal, a pessoa recupera a consciência de forma espontânea.
Antes de desmaiar, é comum que o corpo dê alguns sinais de alerta. Muitas pessoas sentem:
- tontura
- visão escurecida ou embaçada
- suor frio
- náuseas
- fraqueza
- zumbido no ouvido
- sensação de que vão desmaiar

Nem sempre todos esses sintomas aparecem. Em alguns casos, a perda da consciência acontece de forma rápida.
Quanto tempo costuma durar um desmaio?
Geralmente o desmaio dura apenas alguns segundos ou poucos minutos. Depois disso, a pessoa costuma acordar sozinha e vai recuperando o bem-estar aos poucos.
É comum sentir cansaço, fraqueza ou um leve mal-estar logo após o episódio. Esses sintomas geralmente melhoram em pouco tempo.
Se a pessoa permanecer desacordada por vários minutos, demorar muito para recuperar a consciência ou apresentar outros sintomas, como dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo ou movimentos semelhantes aos de uma convulsão, é necessário procurar atendimento médico imediatamente.
Em resumo
O desmaio é uma perda temporária da consciência causada por uma redução passageira do fluxo de sangue para o cérebro. Na maioria das vezes, dura poucos segundos e tem causas benignas. Mesmo assim, alguns episódios podem indicar problemas de saúde que precisam ser investigados.
Quais são as principais causas de desmaio?
O desmaio pode acontecer por vários motivos. Geralmente, não é causado por uma doença grave. Mesmo assim, alguns casos precisam de investigação, principalmente quando o desmaio acontece sem uma explicação clara ou se repete.
A seguir, você vai conhecer as principais causas de desmaio.
Síncope vasovagal: a causa mais comum

O desmaio vasovagal é o tipo mais comum de desmaio. Apesar de assustar, na maioria das vezes ele não é grave.
Ele acontece quando a pressão arterial cai de repente. Com isso, o cérebro recebe menos sangue por alguns segundos, fazendo a pessoa perder a consciência.
Esse tipo de desmaio pode acontecer em situações como:
- Emoções muito fortes, como medo ou ansiedade
- Dor intensa
- Ficar em um ambiente muito quente ou abafado
- Ficar muito tempo em pé
- Ver sangue ou fazer um exame que causa medo
Depois que a pessoa deita ou cai no chão, o sangue volta a chegar normalmente ao cérebro. Por isso, ela costuma recuperar a consciência em poucos segundos.
Ansiedade pode causar desmaio?

Sim. Uma crise de ansiedade ou de pânico pode favorecer um desmaio, principalmente em pessoas que já têm tendência ao desmaio vasovagal.
Isso acontece porque a ansiedade pode provocar mudanças na pressão arterial e na respiração, facilitando o desmaio em algumas pessoas.
Por isso, situações de estresse, medo ou ansiedade intensa podem desencadear um episódio de desmaio.
No entanto, nem todo desmaio é causado pela ansiedade. Antes de concluir que esse foi o motivo, é importante descartar outras causas, principalmente quando o desmaio acontece pela primeira vez, se repete ou vem acompanhado de outros sintomas.
A síncope vasovagal não deixa sequelas. Mesmo assim, se os episódios acontecerem com frequência ou sem um motivo aparente, é fundamental procurar um médico.
Queda da pressão arterial
A pressão baixa também pode levar a um desmaio.
Isso acontece porque o cérebro recebe menos sangue por alguns instantes.
A pressão pode cair por vários motivos, como:
- levantar muito rápido da cama ou da cadeira

- ficar muito tempo em pé
- desidratação
- perda de sangue
- uso de alguns medicamentos
Esse tipo de desmaio é mais comum em idosos e em pessoas que usam remédios para controlar a pressão.
Problemas no coração
Alguns problemas no coração também podem causar desmaio. Esses casos merecem mais atenção, porque podem estar relacionados a doenças mais graves.
As principais causas são:
- batimentos do coração fora de ritmo (arritmias)
- doenças das válvulas do coração
- infarto
- outras doenças do coração

Alguns sinais chamam mais atenção:
- desmaio durante atividade física
- dor no peito
- falta de ar
- sensação de coração acelerado ou batendo de forma irregular
Se o desmaio acontecer em alguma dessas situações, procure atendimento médico imediatamente.
Hipoglicemia

A hipoglicemia acontece quando o açúcar no sangue fica muito baixo.
Ela é mais comum em pessoas com diabetes que usam insulina ou alguns medicamentos para controlar a glicose.
Os sintomas podem incluir:
- tremores
- suor frio
- fome intensa
- fraqueza
- confusão
- dificuldade para falar
Nos casos mais graves, a pessoa pode perder a consciência.
Desidratação
Quando o corpo perde muita água, a quantidade de sangue circulando diminui. Isso pode fazer a pressão cair e provocar um desmaio.

As causas mais comuns são:
- beber pouca água
- vômitos
- diarreia
- febre
- muito calor
- atividade física intensa
Idosos e crianças têm maior risco de desidratação.
Uso de medicamentos

Alguns remédios podem facilitar o aparecimento de desmaios.
Os mais comuns são:
- Anti-hipertensivos – remédios para pressão alta
- Diuréticos
- Alguns remédios para depressão e ansiedade
- Alguns medicamentos usados para tratar doença de Parkinson.
Se você começou um medicamento novo e passou a sentir tonturas ou desmaios, converse com o médico. Nunca interrompa o tratamento por conta própria.
Gravidez

Durante a gravidez, principalmente nos primeiros meses, algumas mulheres podem sentir tontura ou até desmaiar.
Isso acontece porque o corpo passa por várias mudanças e a pressão arterial pode ficar mais baixa.
Na maioria das vezes, esses episódios não são graves. Mesmo assim, é importante avisar o obstetra.
Doenças neurológicas
Muitas pessoas pensam que todo desmaio é causado por um problema no cérebro. Na verdade, isso é pouco comum.
As doenças neurológicas são uma causa menos frequente de desmaio, mas precisam ser lembradas.
Entre elas estão:
- Epilepsia
- AVC
- algumas doenças neurológicas mais raras
Quando o desmaio está relacionado a uma doença neurológica, podem aparecer outros sintomas, como:
- movimentos parecidos com uma convulsão
- dificuldade para falar
- fraqueza em um lado do corpo
- dificuldade para acordar depois do episódio
- confusão por vários minutos
Nesses casos, vale a pena procurar um neurologista para entender o que aconteceu.
Na maioria das pessoas, o desmaio não está relacionado a uma doença grave. Mesmo assim, alguns casos precisam de investigação para descobrir o motivo e iniciar o tratamento adequado.
Qual a diferença entre desmaio e convulsão?

Embora possam parecer parecidos, desmaio e convulsão não são a mesma coisa.
O desmaio acontece quando o cérebro recebe menos sangue por alguns segundos. Já a convulsão acontece por uma alteração na atividade elétrica do cérebro.
Às vezes, pode ser difícil saber qual dos dois aconteceu, principalmente para quem presenciou a situação. Por isso, é necessário que a pessoa seja avaliada por um médico.
A tabela abaixo mostra as principais diferenças:
| Desmaio | Convulsão |
| Geralmente dura alguns segundos. | Costuma durar 1 a 3 minutos, podendo durar mais em alguns casos. |
| A pessoa perde a consciência e costuma ficar mole. | É comum haver movimentos repetitivos dos braços e das pernas. |
| Pode haver pequenos movimentos do corpo, mas eles costumam ser rápidos e discretos. | Os movimentos costumam ser mais fortes, repetitivos e duram mais tempo. |
| Os olhos costumam ficar fechados durante o episódio. | Os olhos costumam ficar abertos e podem virar para cima ou para um dos lados. |
| Morder a língua é incomum. | Morder a língua, principalmente na lateral, é mais comum. |
| Perder urina pode acontecer, mas não é frequente. | A perda de urina pode acontecer durante a crise. |
| A pessoa costuma acordar rapidamente e voltar ao normal em pouco tempo. | É comum acordar confusa, sonolenta e sem entender o que aconteceu por vários minutos. |
| Algumas vezes a causa é simples, mas pode precisar de investigação. | A convulsão sempre deve ser investigada, principalmente quando acontece pela primeira vez. |
Uma pessoa pode se mexer durante um desmaio?
Sim. Isso pode acontecer.
Algumas pessoas apresentam pequenos movimentos dos braços ou das pernas enquanto estão desmaiadas. Esses movimentos costumam durar poucos segundos e acontecem porque o cérebro ficou alguns instantes sem receber sangue suficiente.
Por causa disso, muitas pessoas pensam que foi uma convulsão.
Na convulsão, porém, os movimentos costumam ser mais fortes, repetitivos e duram mais tempo.

Por isso, nem sempre é possível diferenciar um desmaio de uma convulsão apenas olhando para os movimentos.
Depois que a pessoa acorda, algumas informações ajudam muito a entender o que aconteceu. Se alguém presenciou o episódio, vale a pena contar ao médico:
- quanto tempo durou
- se houve movimentos do corpo
- como estavam os olhos
- se a pessoa mordeu a língua
- se perdeu urina
- quanto tempo demorou para voltar ao normal
Esses detalhes podem fazer muita diferença e ajudar o médico a descobrir o motivo do episódio.
Em resumo
O desmaio e a convulsão podem ser parecidos, mas têm causas diferentes. Observar como aconteceu o episódio e contar esses detalhes ao médico ajuda a definir o diagnóstico e escolher o tratamento mais adequado.
Desmaio pode ser AVC?
Na maior parte dos casos, não.
O desmaio, sozinho, raramente é causado por um AVC. Ele acontece por outros motivos, como queda da pressão, síncope vasovagal, desidratação ou problemas no coração.
Em alguns casos, um AVC pode levar à perda da consciência. Mas isso geralmente acontece quando o AVC é mais grave.
Além disso, quem está tendo um AVC costuma apresentar outros sintomas junto com o desmaio, e não apenas a perda da consciência.
Quais são os principais sintomas de um AVC?
Os sinais mais comuns são:
- fraqueza ou perda de força em um lado do corpo
- dificuldade para falar ou para entender o que as pessoas dizem
- boca torta
- perda de visão ou visão embaçada de repente
- dificuldade para andar ou manter o equilíbrio
- tontura intensa, principalmente quando aparece junto com outros sintomas
- dor de cabeça muito forte e diferente do habitual, principalmente nos casos de AVC hemorrágico

Se o desmaio vier acompanhado de qualquer um desses sintomas, procure atendimento médico imediatamente.
Quanto mais rápido o AVC for reconhecido e tratado, maiores são as chances de recuperação e menores os riscos de sequelas.
Importante: mesmo que a pessoa acorde rapidamente, ela deve ser avaliada se apresentar dificuldade para falar, fraqueza em um lado do corpo ou qualquer outro sinal de AVC.
Em resumo
O desmaio, sozinho, raramente é causado por um AVC. No entanto, quando ele acontece junto com sintomas como fraqueza, boca torta, dificuldade para falar ou perda de visão, é fundamental procurar atendimento de urgência.
📖 Quer saber mais sobre os sintomas, o diagnóstico e o tratamento do AVC? Leia também nosso artigo completo: Derrame (AVC): sintomas, causas, tratamento e prevenção.
Quando procurar imediatamente um pronto-socorro?
Alguns sinais indicam que o atendimento não deve esperar.
Procure um pronto-socorro imediatamente se, após o desmaio, a pessoa:
- não acordar rapidamente
- continuar muito confusa ou sonolenta
- apresentar boca torta, dificuldade para falar ou fraqueza em um lado do corpo
- sentir dor no peito ou falta de ar
- bater a cabeça com força durante a queda
- apresentar movimentos parecidos com uma convulsão pela primeira vez
Também é necessário procurar atendimento se o desmaio acontecer durante uma atividade física ou em uma pessoa com doença do coração conhecida.
Importante: se você não souber por que o desmaio aconteceu, procure atendimento médico. Descobrir a causa é o melhor caminho para evitar novos episódios e tratar o problema, quando necessário.
Como o médico descobre a causa do desmaio?

Descobrir a causa do desmaio é muito fundamental para definir se ele foi um episódio isolado ou se existe algum problema de saúde que precisa de tratamento.
A investigação começa com uma boa conversa entre o médico e o paciente.
Algumas perguntas ajudam muito a descobrir o motivo do desmaio, como:
- O que a pessoa estava fazendo antes de desmaiar?
- Ela sentiu algum sintoma antes, como tontura, suor frio ou visão escurecida?
- O episódio aconteceu durante um esforço físico?
- Quanto tempo durou?
- Como estava quando acordou?
- Alguém presenciou o desmaio?
- A pessoa usa algum medicamento?
- Já teve outros episódios parecidos?
Essas informações costumam ser mais importantes do que muitos exames.
Você sabia?
Em muitos casos, o médico consegue ter uma boa ideia do que causou o desmaio apenas conversando com o paciente e realizando um exame físico cuidadoso. Os exames ajudam a confirmar essa suspeita ou afastar outras doenças.
Depois da conversa, o médico faz um exame físico completo. Dependendo de cada caso, ele pode:
- medir a pressão arterial
- ouvir o coração e os pulmões
- fazer um exame neurológico
- avaliar os batimentos do coração
- procurar sinais que ajudem a entender a origem do desmaio.
Com essas informações, muitas vezes já é possível saber qual é a causa mais provável e decidir se algum exame será necessário.
Quais exames podem ser necessários?
Nem toda pessoa que desmaia precisa fazer muitos exames.
Os exames são escolhidos de acordo com a história de cada paciente e com o que foi encontrado durante a consulta.
Quando necessário, o médico pode solicitar:
- Eletrocardiograma (ECG): avalia o ritmo do coração.
- Holter 24 horas: registra os batimentos do coração durante um ou mais dias.
- MAPA: avalia a pressão arterial ao longo de 24 horas.
- Tilt Test (teste de inclinação): ajuda a confirmar o desmaio vasovagal em alguns casos.
- Ecocardiograma: avalia a estrutura e o funcionamento do coração.
- Exames de sangue: podem identificar alterações como anemia, baixa glicose ou outros problemas.
- Tomografia ou ressonância do cérebro: são indicadas apenas em situações específicas, quando existe suspeita de uma doença neurológica.
- Eletroencefalograma (EEG): pode ser solicitado quando existe dúvida entre desmaio e convulsão.
Mas é raro que alguém precise fazer todos esses exames.
O mais importante é que cada paciente seja avaliado de forma individual. Assim, o médico consegue pedir apenas os exames que realmente fazem sentido para cada paciente.
Em resumo
O melhor exame para descobrir a causa do desmaio é aquele indicado após uma boa avaliação médica. A história do paciente e o exame físico continuam sendo as ferramentas fundamentais para chegar ao diagnóstico.

Como é feito o tratamento do desmaio?
O tratamento do desmaio depende do que causou o episódio.
Por isso, o primeiro passo é esclarecer o motivo. O tratamento pode envolver mudanças simples na rotina, ajuste de medicamentos ou cuidados específicos para alguma doença.
Desmaio vasovagal
O desmaio vasovagal não costuma precisar de um tratamento complicado.
Algumas medidas podem ajudar:
- beber bastante água
- evitar ficar muito tempo em pé
- evitar locais muito quentes e abafados
- não ficar muitas horas sem comer
- levantar devagar da cama ou da cadeira
- uso de meia elástica
- reconhecer os primeiros sinais do desmaio
Ao sentir tontura, suor frio, enjoo ou visão escurecida, a pessoa deve deitar imediatamente e levantar as pernas. Isso pode ajudar o sangue a voltar para o cérebro e evitar o desmaio.
Em alguns casos, o médico também pode ensinar movimentos que ajudam a aumentar a pressão. Um exemplo é cruzar as pernas e apertá-las com força ao sentir que vai desmaiar.
Quando os episódios são muito frequentes, outras formas de tratamento podem ser avaliadas.
Pressão baixa
Quando o desmaio acontece por queda da pressão, o tratamento pode incluir:
- beber mais água
- levantar devagar
- evitar ficar parado em pé por muito tempo
- tratar vômitos, diarreia ou outras causas de perda de líquidos
- rever os medicamentos usados pelo paciente
Algumas pessoas também podem precisar aumentar o consumo de sal. Porém, isso só deve ser feito com orientação médica, principalmente em quem tem pressão alta, problemas no coração ou nos rins.
Se algum remédio estiver causando queda da pressão, o médico pode mudar a dose ou trocar o medicamento.
Nunca pare um remédio por conta própria.
Alterações nos batimentos do coração
Quando o desmaio acontece por uma alteração nos batimentos do coração, o tratamento é feito pelo cardiologista.
Dependendo do problema, podem ser necessários:
- medicamentos
- mudança de algum remédio que a pessoa já usa
- um aparelho para controlar os batimentos do coração
- outros tratamentos para a doença cardíaca
Essas causas precisam de mais atenção, pois algumas podem ser graves.
Doenças neurológicas
Quando a perda da consciência está ligada a uma doença neurológica, o tratamento depende do problema encontrado.
Por exemplo:
- na epilepsia, podem ser usados medicamentos para evitar novas crises
- no AVC, o atendimento precisa ser feito com urgência
- em outras doenças, o tratamento será escolhido de acordo com a causa
É importante lembrar que a maioria dos desmaios não é causada por uma doença neurológica.
O que fazer quando alguém desmaia?
Ver uma pessoa desmaiar pode assustar. Mesmo assim, algumas atitudes simples podem ajudar.
O que fazer:
- Deite a pessoa de barriga para cima.
- Levante as pernas, se não houver suspeita de fratura ou machucado grande.
- Afrouxe roupas apertadas, como gravata, cinto ou botão da camisa.
- Afaste objetos próximos, para evitar que a pessoa se machuque.
- Veja se ela está respirando normalmente.
- Se houver vômito, vire a pessoa de lado para evitar que ela se engasgue.
- Quando ela acordar, deixe-a deitada por alguns minutos.
- Ajude-a a se sentar e levantar devagar.
Na maioria dos desmaios simples, a pessoa acorda rapidamente. Deitar e levantar as pernas ajuda o sangue a chegar novamente ao cérebro.

Quando chamar o SAMU?
Ligue para o SAMU pelo número 192 se a pessoa:
- não acordar rapidamente
- não estiver respirando normalmente
- sentir dor no peito
- tiver falta de ar
- apresentar boca torta, dificuldade para falar ou fraqueza em um lado do corpo
- tiver movimentos parecidos com uma convulsão
- bater a cabeça com força
- desmaiar durante uma atividade física
- estiver grávida
- tiver uma doença do coração conhecida
Se a pessoa não estiver respirando normalmente, peça ajuda e comece as manobras de reanimação, caso saiba realizá-las.
O que não fazer

Durante um desmaio:
- não dê tapas no rosto
- não jogue água na pessoa
- não ofereça comida ou bebida enquanto ela estiver desacordada
- não coloque álcool, amônia ou outros produtos perto do nariz
- não tente levantar a pessoa imediatamente
- não coloque objetos dentro da boca
- não segure os braços ou as pernas com força, caso ocorram movimentos
Depois que ela acordar, espere alguns minutos antes de oferecer água ou alimento.
Em resumo
Deite a pessoa, levante suas pernas e veja se ela está respirando. Não tente colocá-la em pé rapidamente. Se ela não acordar logo ou apresentar outros sinais de alerta, chame o SAMU.
É possível prevenir novos episódios de desmaio?
Em muitos casos, sim.
A melhor forma de prevenir novos episódios é descobrir o que causou o desmaio. As orientações podem mudar de uma pessoa para outra.
Algumas medidas ajudam a reduzir o risco:
- beber água ao longo do dia;
- evitar passar muitas horas sem comer;
- levantar devagar da cama ou da cadeira;
- evitar ficar muito tempo em pé;
- evitar ambientes muito quentes e abafados;
- não exagerar no consumo de bebidas alcoólicas;
- usar os medicamentos conforme a orientação médica;
- avisar o médico se as tonturas começaram após um remédio novo;
- tratar doenças do coração, diabetes ou outros problemas de saúde.
Também é necessário aprender a reconhecer os sinais que aparecem antes do desmaio, como:
- tontura;
- suor frio;
- enjoo;
- fraqueza;
- visão escurecida;
- sensação de que vai desmaiar.
Ao perceber esses sinais:
- Deite-se imediatamente.
- Levante as pernas.
- Peça ajuda.
- Não tente continuar andando.
- Levante apenas quando estiver se sentindo bem.
Essas atitudes podem evitar a queda e diminuir o risco de ferimentos.
Importante
Nem todos os desmaios podem ser evitados. Se os episódios continuarem acontecendo, mesmo com esses cuidados, procure um médico para esclarecer a causa.
Mitos e verdades sobre o desmaio
Todo desmaio é grave?
❌ Mito.
Grande parte dos desmaios acontecem por motivos simples, como calor, queda da pressão, desidratação ou uma emoção forte.
Mesmo assim, é fundamental procurar um médico quando o episódio:
- acontece sem uma razão clara
- se repete
- ocorre durante uma atividade física
- vem acompanhado de dor no peito, falta de ar ou outros sinais de alerta
Quem desmaiou sempre precisa fazer uma tomografia?
❌ Mito.
Nem toda pessoa que desmaia precisa fazer uma tomografia do cérebro.
Esse exame costuma ser pedido quando há sinais de um possível problema neurológico, como:
- fraqueza em um lado do corpo
- dificuldade para falar
- confusão que demora a passar
- batida forte na cabeça
- suspeita de AVC
- dúvida sobre outra doença do cérebro
Os exames são escolhidos de acordo com o que aconteceu e com o que foi encontrado durante a consulta.
É correto colocar álcool ou amônia para a pessoa cheirar?
❌ Mito.
Não coloque álcool, amônia, perfume ou qualquer outro produto perto do nariz da pessoa.
Esses produtos podem irritar os olhos e as vias respiratórias. Eles também não tratam a causa do desmaio.
O correto é:
- deitar a pessoa
- levantar suas pernas
- afrouxar roupas apertadas
- verificar se ela está respirando normalmente
- chamar ajuda se ela não acordar rapidamente.
Perguntas frequentes sobre desmaio
Crianças podem desmaiar?
Sim. Crianças e adolescentes também podem desmaiar.
Os motivos mais comuns são:
- calor
- ficar muito tempo em pé
- medo
- dor
- desidratação
- passar muito tempo sem comer
É essencial procurar atendimento quando o desmaio acontece durante uma atividade física, vem acompanhado de dor no peito ou palpitações, ou quando existe histórico de doença grave do coração na família.
Idosos têm maior risco?
Sim. O desmaio em idosos merece mais atenção.
Além de terem maior chance de usar medicamentos que baixam a pressão, os idosos podem apresentar doenças do coração ou outros problemas de saúde.
A queda também pode causar:
- cortes
- batidas na cabeça
- fraturas
- perda da independência
Por isso, mesmo que a pessoa acorde rapidamente, é necessário entender porque o desmaio aconteceu.
Posso dirigir depois de desmaiar?
Não é recomendado dirigir até que a causa do desmaio seja definida, principalmente quando o episódio aconteceu sem aviso ou ainda não tem uma explicação.
Um novo desmaio ao volante pode colocar em risco a pessoa, os passageiros e outras pessoas.
O momento seguro para voltar a dirigir deve ser avaliado de acordo com a causa e com a orientação médica.
Quando agendar uma consulta com um neurologista?
Se você chegou até aqui, provavelmente ainda está tentando entender por que aconteceu o desmaio. E isso é completamente compreensível.
Depois de um desmaio, é comum surgir o medo de que isso aconteça novamente. Algumas pessoas passam a evitar dirigir, praticar atividades físicas ou até sair sozinhas por não saberem o que causou o episódio.
Vale a pena agendar uma consulta quando:
- o desmaio acontece mais de uma vez
- não existe uma explicação clara para o episódio
- existe dúvida entre desmaio e convulsão
- aparecem sintomas como fraqueza, dificuldade para falar ou alteração da visão
- os primeiros exames não conseguiram explicar o que aconteceu
A Dra. Viviane Felici é neurologista e tem ampla experiência na avaliação de pacientes com desmaios e outras doenças neurológicas que podem causar perda da consciência. Atende pacientes em Presidente Prudente em consultas particulares, realizadas com o tempo necessário para uma avaliação cuidadosa.
Cada paciente tem uma história diferente, por isso a avaliação deve ser individualizada. Muitas vezes, uma conversa detalhada, um exame físico cuidadoso e a análise dos exames já realizados são suficientes para direcionar a investigação e definir os próximos passos. O objetivo é entender por que o desmaio aconteceu, esclarecer suas dúvidas e indicar o tratamento mais adequado para que você volte a realizar suas atividades com tranquilidade e segurança.
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